Reforma tributária: o que muda no sistema de gestão da sua empresa
A pergunta que empresa média precisa fazer ao fornecedor do sistema de gestão não é se ele vai se adequar à reforma tributária. É quando, e o que exatamente vai entregar.
A diferença entre as duas perguntas costuma aparecer tarde demais para mudar de fornecedor.
O que muda de fato
A transição substitui tributos atuais por IBS e CBS, com um período em que os dois modelos convivem. Para quem opera o sistema, isso significa coisas concretas:
O cálculo passa a depender do destino. A lógica de onde o imposto é devido muda, e regra de cálculo amarrada à origem precisa ser reescrita, não parametrizada.
O cadastro precisa de campo novo. Classificação de produto e serviço, natureza da operação e situação tributária ganham dimensões que o cadastro atual pode não ter onde guardar.
Dois regimes ao mesmo tempo. Durante a transição, a mesma empresa emite documento nos dois modelos. O sistema precisa saber qual aplicar em cada caso, e guardar o histórico de ambos.
Crédito muda de lógica. O aproveitamento passa a seguir regra diferente, e relatório construído sobre a lógica antiga para de bater.
As três situações mais comuns
O ERP de mercado vai se adequar. Fornecedor grande resolve isso e repassa via atualização. O que a empresa precisa verificar é o prazo anunciado, e se a versão que ela usa está dentro do suporte. Empresa rodando versão antiga por causa de customização descobre nessa hora que a atualização não é automática.
O sistema é antigo e o fornecedor sumiu. Situação mais comum do que parece, principalmente em software comprado há mais de uma década. Aqui a adequação não vem de ninguém, e a decisão é entre substituir e reconstruir a parte fiscal.
O sistema é próprio ou tem customização pesada. A adequação é trabalho de desenvolvimento, e o prazo depende de quando alguém começa.
O que verificar agora
Independente da situação, quatro perguntas dão o tamanho do problema:
- Qual versão do sistema está em produção, e ela ainda recebe atualização?
- Existe customização no módulo fiscal? Se sim, ela sobrevive à atualização?
- Onde mais o cálculo de imposto acontece fora do ERP? Planilha, integração com marketplace e sistema de orçamento costumam ter cópia da regra.
- Quem no time entende a regra fiscal a ponto de validar se o resultado saiu certo?
A quarta é a que mais atrasa projeto. Sistema adequado que ninguém consegue conferir não dá segurança nenhuma.
Por que a integração costuma doer mais que o cálculo
O cálculo é regra, e regra se implementa. O que trava projeto é o resto: o marketplace que envia pedido com a estrutura antiga, o sistema de emissão que é de outro fornecedor, o relatório que a contabilidade recebe em formato combinado há anos.
Cada uma dessas pontas precisa ser mapeada antes, e cada uma tem um dono diferente. É por isso que adequação costuma virar projeto de integração entre sistemas tanto quanto de cálculo fiscal.
Sobre o prazo
A transição tem calendário, e a tentação é esperar a proximidade da data. O problema é que todo mundo vai esperar, e a capacidade de quem faz esse trabalho é finita.
Empresa que mapeia agora escolhe fornecedor e prazo. Empresa que mapeia depois aceita o que sobrou.
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