Wi-Fi corporativo não se resolve comprando mais roteador
O roteiro é conhecido. A equipe reclama que a rede sem fio cai numa parte do escritório, alguém compra mais um ponto de acesso, instala perto da reclamação, e o problema melhora por algumas semanas antes de voltar.
Depois de três ciclos desses, o escritório tem seis equipamentos de marcas diferentes brigando pelo mesmo espaço, e a rede está pior do que com dois.
Por que adicionar equipamento piora
Rede sem fio divide um recurso finito: o espectro. Pontos de acesso próximos, transmitindo no mesmo canal em potência alta, interferem uns nos outros. O aparelho do usuário fica alternando entre eles, e cada troca custa uma interrupção.
O sintoma é enganoso. A barrinha de sinal aparece cheia, porque o sinal chega forte. O que não chega é a conversa completa, porque o meio está congestionado.
Isso explica por que a compra não resolve. Cobertura não é o mesmo que capacidade, e a maioria das reclamações é de capacidade.
O que um projeto de verdade faz diferente
Mede antes de instalar. Levantamento de sinal no local, considerando parede, vidro, estrutura metálica e o que o vizinho está transmitindo. Posição de ponto de acesso vira decisão baseada em leitura, não em onde havia tomada.
Planeja canal e potência. Reduzir potência costuma melhorar a rede, o que é contraintuitivo e verdadeiro: potência menor com mais pontos bem distribuídos dá menos interferência que o contrário.
Isola o visitante. Rede de visitante compartilhando o mesmo espaço da rede interna é dois problemas em um: o convidado consome a capacidade da operação, e enxerga o que não deveria.
Identifica por pessoa. Senha única compartilhada significa que a saída de um funcionário exige trocar a senha de todo mundo, e que ninguém sabe quem estava conectado quando algo aconteceu.
A parte que quase ninguém faz
Documentar. Onde cada ponto está, em qual canal, com qual configuração e ligado em qual porta de qual switch.
Sem isso, cada problema futuro recomeça pela arqueologia, e a rede fica dependente da memória de quem instalou. Quando essa pessoa sai, a empresa herda uma estrutura que funciona e que ninguém sabe mexer.
A camada de baixo importa mais
Wi-Fi é a ponta visível. Quase sempre o gargalo está no que vem antes: o switch que conecta os pontos de acesso, a segmentação que não existe, o link que satura no horário de pico.
Rede sem fio boa sobre camada de acesso ruim continua ruim. É por isso que projeto de Wi-Fi que não olha switches e segmentação costuma entregar menos do que promete.
Quando faz sentido chamar alguém
Se a operação para quando a rede cai, se ninguém tem o desenho atual, ou se a empresa vai mudar de endereço ou abrir unidade nova. Esses três casos pagam o projeto.
Se o escritório é pequeno, estável e ninguém reclama, não pague por levantamento que não vai mudar decisão nenhuma.
Agende um diagnóstico de rede ou veja a frente de Wi-Fi corporativo.
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